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abr 11 2012

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Em caso de grande terremoto, os mais altos edifícios de Tokyo resistirão aos abalos?

Em meio à destruição causada pelo terremoto seguido de tsunami que atingiu a costa leste do Japão dia 11 de Março, o maior da história do país, em Tokyo os prédios continuam em pé apesar do forte tremor.  O que explica isso são as altas tecnologias de engenharia civil desenvolvidas há anos pelos japoneses para minimizar os prejuízos e mortes causados pelos desastres naturais. O Japão tem uma sismologia extremamente avançada, que trabalha em parceria com a engenharia sísmica.O Japão concebeu uma infra-estrutura criada para suportar terremotos, já que seu território é afetado por 20% dos maiores tremores do mundo. O Japão tem hoje um dos sistemas mais avançados de defesa civil  e uma moderna tecnologia que reforça a estrutura de construções, têm desenvolvido fortemente esforços no melhoramento da resistência dos edifícios às vibrações da crosta provocadas pela brusca libertação de energia, que ocorre quando há um sismo de elevada magnitude.

Desde o século 19, empreende esforços para evitar danos e mortes causados por terremotos. Os avanços e a normatização das construções no Japão começaram em 1926. Três anos depois do Grande Terremoto de Kanto (leia Como foi o Grande Terremoto de Kanto em 1923? Lições aprendidas e reconstrução de Tokyo foi criado o primeiro código de edificações voltado para construções mais seguras. As primeiras leis limitavam o tamanho dos prédios, algo que se tornou inviável no pós-guerra, quando o país encontrou o rumo do crescimento industrial. A partir de então, o investimento em tecnologias anti-terremotos ganhou impulso no país.

Terremoto Hanshin Awaji- Kobe, 1995

No entanto, um tremor de magnitude 6,8 na escala Richter que destruiu a cidade de Kobe em 1995 foi um divisor de águas no modo como os japoneses passaram a lidar com a fúria da natureza. A partir da traumática experiência que deixou quase 6.500 mortos e mais de 300 mil residências destruídas, a legislação obrigou os construtores a, dentre outras coisas, adotar um padrão de construção que considera os limites de resistência do prédio a terremotos.  Em outras palavras, os prédios deixaram de ser estruturas rígidas e se tornaram mais “flexíveis”, chegando a balançar visivelmente durante um terremoto.

Era preciso, então, criar uma tecnologia de construção capaz de amenizar os estragos dos abalos sísmicos As estruturas reforçadas e a tendência de amortecer as ondas de choque de forma que elas não atinjam a estrutura dos edifícios e que as molas absorvam esse impacto são o aprimoramento da técnica de engenharia para locais com sismos.

O último código de edificações é o de 1981: prescreve o uso do concreto reforçado e de colunas de aço. Edifícios com mais de 60 metros de altura precisam de autorização do Ministério das Construções, que verifica as condições de segurança.O país possui um dos melhores códigos de construção do planeta, que, ressaltando a importância do “smart design” e de medidas preventivas, pode ter salvo milhões de vidas.

As leis são muito sérias, e prédios têm que satisfazer um padrão de resistência a terremotos bastante alto. Muitos prédios têm uma espécie de amortecedor em suas bases de sustentação que, prometem eles, absorve boa parte do impacto. Algo óbvio para um japonês é que quanto mais alto o andar que se estiver, maior será a sensação de abalo.

O Japão também é conhecido por ser uma das maiores potências tecnológicas do mundo. Essa tecnologia também é voltada para estudos sobre prevenção e redução dos efeitos catastróficos desses acontecimentos. Assim, o Japão levou a sério tudo que diz respeito à preparação e infraestrutura de prevenção de tragédias naturais.

De paredes de contenção e quebra-mares ao longo da costa a arranha-céus que absorvem os esforços dos abalos sísmicos, não há país melhor preparado para um terremoto que o Japão. Ao longo dos anos, o país tem investido bilhões de dólares desenvolvendo novas tecnologias que ajudem seus cidadãos e infraestruturas contra tais abalos e tsunamis.

Dentre essas pesquisas de prevenção, a mais significativa é a que mantém as estruturas dos prédios intactas após alguma terremoto. A grosso modo, os prédios possuem fundações bem profundas e amortecedores que regulam a posição dos prédios quando os abalos começam, e eles se balançam para um lado e para o outro, como quem luta para manter o equilíbrio.

Ao construir um novo prédio, a preocupação começa na fundação, parte do edifício que fica em contato com o solo. Os prédios ganham alicerces com suspensão para absorver o impacto gerado pelo terremoto. Nos prédios como os do governo japonês, são instalados amortecedores eletrônicos, que podem ser controlados à distância. Em prédios mais simples são usados amortecedores de molas que funcionam de um jeito parecido à suspensão de veículos. Os engenheiros também colocam um material especial para amortecer as junções entre as colunas, a laje e as estruturas de aço que compõe cada andar. Esse material ajuda a dissipar a energia quando a estrutura se movimenta em direções opostas, assim o prédio não esmaga os andares intermediários”, explica Dantas. Todos os andares possuem, além de paredes de concreto, uma estrutura de aço interna, que ajuda a suportar o peso do prédio.Os vidros das janelas, uma das partes mais sensíveis da construção, são envolvidos por borracha, para que não fiquem em contato direto com a esquadria de aço. Com isso, enquanto o prédio sacode, o vidro também se movimenta, porém de maneira controlada.

Pêndulo -( Leia No Japão termina a construção da maior torre televisiva no mundo, Tokyo Sky Tree ) Uma das partes mais importantes dos prédios com tecnologias mais modernas contra terremotos é o sistema de contrapeso inercial: instalada na parte mais alta, uma bola pesada o bastante para movimentar o prédio no sentido contrário às vibrações do solo atenua o movimento e permite que o prédio se mantenha 40% mais estável durante um terremoto.

Este conjunto de tecnologias permite que os prédios mais modernos do mundo passem por terremotos sem comprometer a estrutura física da construção. Contudo, como cada prédio pode ser construído para suportar uma intensidade máxima de terremoto, alguns edifícios podem desabar após enfrentar uma série de abalos sísmicos em um curto espaço de tempo. Uma estrutura já debilitada por um tremor inicial está suscetível a danos maiores

video -Modelo de simulação – fundações com amortecedores.  *http://youtu.be/Fw7aQwMmBNM

Conheça os maiores edifícios do Japão, por ordem de altura.

Da lista da Wikipedia, de 53 edifícios listados como os mais altos do Japão, tendo mais de 180m, 43 edifícios estão em Tokyo

1th lugar. Yokohama Landmark Tower - 

Edifício mais alto da província de Kanagawa, com 296,3m, 70 andares, construído em 1993. Está localizado no Minato Mirai 21 na cidade de Yokohama. Ele tem a maior plataforma de observação no Japão. O edifício contem um hotel de cinco estrelas, com um total de 603 quartos. Os andares mais baixos contem 48 lojas, restaurantes, clínicas e escritórios. O edifício contem dois amortecedores de massa sintonizados no chão (oculto) em cantos opostos do edifício para prevenção de terremotos. No andar 69 tem um observatório, de onde se pode ter uma vista de 360graus da cidade e em dias claros, o Monte Fuji. Está equipado com o elevadores considerados o segundo mais rápidos do mundo, que atingem velocidades de 12,5m/s, permitindo chegar ao andar 69 em 40 segundos.

Prefeitura do governo de Osaka

Edifício Rinku Gate Tower

2th lugar. Prefeitura do governo de Osaka – Sakishima Building - Edifício mais alto da província de Osaka, com 256m de altura, 55 andares, construído em 1995. Tem três andares no subsolo, um museu, restaurantes e deck de observação, escritórios e salas de conferência. Um elevador transparente pode levar os passageiros ate o topo em 80 segundos.

3th lugar – Edifício Rinku Gate Tower - Localizado na cidade de Izumisano, em Osaka, tem 256m de altura, com 56 andares, construído em 1996. A torre é dividia em três níveis: o primeiro nível contem uma sala de conferência internacional, o segundo nível contem escritórios de negócios, e o terceiro nível fica o ANA Gate Hotel. O 26 andar serve como um nível de observação, que dá vista para o oceano e o Skay Gate Bridge. O edifício tem dois pisos substerrâneos que são utilizados como um parque de estacionamento.

Torre de Midtown

Torre de Midtown

4th lugar. Torre de Midtown

Edifício mais alto de Tokyo, com 248m de altura e 54 andares, construída em 2007. Localizado em Roppongi. Escritórios, galerias e espaços para exposições, centro médico, hotel Ritz-Carlton com 248 quartos.

5th lugar. Midland Square 

Edifício mais alto de Aichi, com 247m Torre de Midtown de 47 andares, construído em 2007. Localizado em Nagoya, é um centro comercial com 60 lojas de grife, salas de exposições de automóveis, cinema e escritórios de grandes empresas. Os elevadores levam 40 segundo para subir ao topo.

Torre do Escritório Central da JR

Edifício do Governo de Tokyo -

6th lugar. Torre do Escritório Central da JR -

 Edifício com 245m. 51 andares, construído em 2000, localizado na Estação de Nagoya

 7th lugar – Edifício do Governo de Tokyo - 

Conhecido como Tokyo City Torre do Escritório Central da JRHall, abriga a sede do Governo Metropolitano de Tokyo, localizada em Shinjuku, com 243m. O edifício é constituído por um complexo de três estruturas, cada um ocupando um quarteirão da cidade.

Sunshine 60

8th lugar. Sunshine 60

Edifício com 240 m e 60 andares, construído em 1978, localizado em Ikebukuro, Tokyo, ao lado do complexo Sunshine City.

O segmento inferior do edifício é também reforçada de concreto com um aço de esqueleto. A torre superior é um esqueleto de aço com paredes de cisalhamento “fenda”.

Estas paredes únicas foram inseridos entre as colunas no núcleo, permitindo que as paredes para estar em conformidade com deformações na armação de aço causada por tremores de terra e de cisalhamento do vento ajudar a garantir a integridade estrutural.

Um sistema de moldação estrutural rígido cria a moldura. Equipamento mecânico está localizado directamente por cima do núcleo da estrutura sobre a sua cobertura.

Correio, bancos, showrooms, cafés, centro de saúde, creche, escritórios e um deck de observação, um dos elevadores leva 40 passageiros a uma velocidade de 600m/m, é um dos elevadores mais rápidos do mundo.

NTT Docomo Yoyogi Building

Roppongi HIlls Mori Tower

8th lugar – NTT Docomo Yoyogi Building - Edificio com 240m, 27 andares, construído em 2000, localizado em Shibuya, Tokyo. É o terceiro edifício mais alto de Tokyo. Após a instalação de um relógio em 2002, o edifício tornou-se a mais alta torre do relógio do mundo. O edifício não é sede da NTT, alberga alguns escritórios, mas é usado principalmente para equipamentos técnicos, para o serviço da empresa de telefonia celular. A energia solar é parcialmente usada para alimentar o prédio. Um sistema de separação delixo empregados dentro do escritório ajuda a reduzir o desperdício e aumentar a taxa de reciclagem. As águas residuais são recicladas para reutilização, e a água da chuva é reutilizada para banheiros do edifício. O edifício não tem restaurantes ou atrações turísticas.

10th lugar. Roppongi HIlls Mori Tower - Edifício de 238m e 54 andares, construído em 2003, usado principalmente para escritórios, lojas, restaurantes, museus e outras atrações turísticas.

 

Do 11 lugar em diante…

Para conhecer a lista completa acesse Wikipedia -**

Abaixo você poderá ver imagens impressionantes filmadas no bairro de Shinjuku, no Japão, durante o terremoto do dia 10 de março. Nas imagens, um cinegrafista amador captura uma cena onde quatro prédios lutam para se manter em pé, devido a pressão da natureza durante os abalos sísmicos. Pode-se dizer que os engenheiros Tjaponeses minimizaram os impactos desses acontecimentos.

*http://youtu.be/JhJzdtzl6KY - Prédios de Tokyo balançando durante o terremoto de 11 de Março

*http://youtu.be/pHxagw7ZwUc Japão desenvolve tecnologia para proteger cidades, prédios e casas dos terremotos

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