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jan 23 2012

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Porque os japoneses comem com pauzinhos… Quais as gafes que devemos evitar ao usar o HASHI

Hoje, chineses, japoneses, coreanos e vietnamitas fazem do palitinho o segundo método mais popular para se comer. Qual é o primeiro? Os dedos, é claro!

hashi constitui um prolongamento natural dos dedos, especialmente útil e higiênico nos tempos em que se comia em pratos comunitários. São mais higiênicos do que os garfos e colheres e podem ser produzidos com diversos materiais, desde bambu até prata e marfim. Parece que toda a cultura culinária oriental foi de certa forma desenvolvida para ser consumida por estes palitinhos. Os alimentos são cortados em tamanhos que podem ser facilmente segurados, dispensando o uso da faca e do garfo.

Não é difícil manipulá-lo, e quem o despreza, no mínimo, ignora que a humanidade já o utilizava 5 mil anos antes da invenção do garfo. Os japoneses consideram a faca uma arma e acham estranho que ela seja utilizada na hora da refeição. O uso dos hashis é uma demonstração do estado pacífico ao se alimentar

No começo é difícil de manusear, mas depois de algum treino, torna-se muito mais prático que usar garfo e faca. Além de dispensar o vai-e-vem dos talheres de uma mão para a outra, o uso do hashi ajuda na digestão, por levar uma pequena quantidade de comida à boca, ao contrário das grandes garfadas e enormes colheradas.

日本人は、箸に始まり、箸で終わる唯一の民族です。Nihonjinwa hashini hajimari, hashide owaru yuuitsu no minzoku desu. O povo japonês inicia a vida com hashi (depois da amamentação, as primeiras refeições são servidas com hashi) e termina com hashi (na cerimônica fúnebre, os ossos são manipulados com hashi).

História da origem dos pauzinhos

Pauzinhos ou palitinhos são uma parte importante da cultura asiática. Sua popularidade e uso generalizado em toda a Ásia tem uma longa e rica história.

Acredita-se que os pauzinhos foram criados mais de 5.000 anos atrás na China. O homem asiático preparava sua comida no fogo usando varas ou galhos quebrados de árvores. Conta-se que os primeiros foram utilizados como suporte para grelhar carnes sobre a brasa. Para não queimar as mãos e servir a carne, eram usadas as tiras de bambu. Mais tarde, enquanto a população crescia e os recursos se tornavam escassos, as pessoas iriam cortar os alimentos em pedaços menos, para economizar combustível, pois as porções menores  eram cozidos mais rapidamente. Isso eliminou a necessidade de facas.

O uso dos pauzinhos foi amplamente divulgado como principal utensílio no início do Confucionismo. Diz a história que Confúcio ensinou: ”O homem honra e justo mantem-se bem longe do matadouro e da cozinha”. Ele não permitia facas sobre a mesa, considerava a faca uma arma. O uso dos pauzinhos é uma demonstração do estado pacífico ao se alimentar.

O hashi 【箸】foi o primeiro instrumento que o homem criou para evitar o contato direto dos dedos com a comida durante a refeição. Foram  usados ​​como pinças para pegar porções de alimentos que já estão preparados em pedaços pequenos e convenientes. São considerados uma extensão dos dedos.

Em 500 d.C, os pauzinhos se espalharam da China para outros países como Coréia, Vietnã e Japão.  Embora inicialmente utilizados para cerimônias religiosas no Japão, rapidamente ganhou popularidade e seu uso tornou-se generalizada como no resto da Ásia.

Como são chamados os pauzinhos na Ásia?

Em japonês , pauzinhos são chamados de hashi (はし), escrito 箸. hashi 【箸】usualmente feitos de madeira, bambu, marfim ou metal, e modernamente de plástico,  é utilizado como talher em boa parte dos países do Extremo Oriente, como a China, o Japão, o Vietnã e a Coréia.

O termo chinês para os pauzinhos é kuaizi ( chinês : 筷子 ; pinyin : kuàizi ). O primeiro caractere (筷) é um semântico-fonéticos composto com uma parte fonética significa “rápido” (快), e uma parte semântica que significa “bambu” (竹). ] A tradução comum é “pequeno e rápido companheiros de bambu”

Em coreano , 저 (箸, jeo ) é usado no composto jeotgarak (젓가락), que é composto por jeo(pauzinhos) e Garak (vara). Jeo não pode ser usado sozinho.

Em vietnamita , pauzinhos são chamados de ” đũa “, que é escrito como

Os hashis são usualmente feitos de madeira, bambu, marfim ou metal, e modernamente de plástico. O par de hashi é manuseado com a mão direita, entre o dedo polegar e os dedos anelar, médio e indicador, e serve para apanhar pedaços de comida ou empurrá-los diretamente da tigela para a boca.

Há uma variante dos hashi japoneses denominada de saibashi (菜箸; o さいばし). Estes são uma versão dos hashi (箸) especificamente adaptada para o uso na cozinha e permitem a manipulação do alimento quente com uma só mão. Têm um comprimento de 30 centímetros ou mais, e são unidos com um cordão nas extremidades onde se lhes pega. A maioria dos saibashi são feitos de bambu, mas para fritar recomenda-se a utilização de Saibashi de metal com os punhos em bambu os quais são chamados dekinzokuseinohashi(金属製の箸, “hashi feitos de metal”).

Superstições japonesas

Os japoneses são tão apegados a crendices populares quanto qualquer outra nação. De tão populares, algumas superstições japonesas são quase que uma instituição nacional. Muitas superstições japonesas são associadas à morte e às celebridades fúnebres. Algumas superstições são consideradas absurdas e engraçadas pela visão ocidental, porém compreendendo um pouco mais as tradições milenares dos orientais, saberemos que aquelas que dizem respeito à morte são levadas à serio pelo povo japonês.

Enfiar os talhares japoneses (hashis) em uma tijela de arroz.

Além de ser delito de etiqueta gastronômica dos mais graves, ainda é uma provocação ao outro mundo. Isso porque, no Japão, os hashis são cravados na tijela de arroz somente em uma situação: para deixar o arroz no altar em oferenda aos mortos.

Nunca passe comida de seu hashis para os de outra pessoa.
Após a cremação, em um funeral japonês, os parentes costumam utilizar os hashis para passar os ossos do falecido uns para os outros.

Etiqueta no manuseio do hashi

Itadakimasu (いただきます) é uma expressão que os japoneses utilizam antes de cada refeição, é uma prece de agradecimento e reconhecimento às vidas que foram sacrificadas para dar continuidade à nossa vida. É um obrigado à vida dos grãos de arroz que não produziram outras vidas, um obrigado às abelhas que polinizaram os grãos, ao trabalho do lavrador que cultivou o arroz, às mãos que trouxeram o arroz até a nossa mesa.

Deixar hashi paralelos à mesa, quando não estiver usando. Hashis devem ficar sempre juntos, paralelamente à mesa, portanto nada de deixá-los abertos, nem cruzados, nem separados um do outro de cada lado do prato ou sobre as tigelas. Existem apoios para se colocar os palitinhos, hashi oki-do. Caso não haja no restaurante, improvise dobrando a embalagem de papel dos hashis e colocando a ponta dos mesmos sobre ele.

Para retirar um alimento de um prato comunitário. Fazer girar seu Ohashi em torno de quando usá-los para pegar comida de um prato comum (estilo familiar de comer): É educado.Por experiência eu sei que este gesto simples que você pode ganhar pontos importantes na tabela.

Quando comer arroz, erguer a tigela. Segurar pela base com a mão esquerda. A direita segurar o hashi, apoiado principalemnte no dedo médio. Sushis e oniguiris (bolinhos de arroz) podem ser comidos com as mãos. Inclusive, os dedos podem levar o alimento para serem molhados no shoyu. A única recomendação é molhar apenas o peixe para que o arroz não se desmanche。

Gotisousama. Após a refeição dizemos: GOTISOUSAMA. Agradecimento com o significado que o alimento estava muito saboroso. Esse agradecimento é para o meio ambiente (sol, água, solo, ar, nutrientes, etc..);  para o produtor que dedicou seu tempo e seu suor na produção do mesmo; para quem cozinhou e preparou a comida para nós; e também para as pessoas que estão na mesma mesa compartilhando da mesma comida; em suma… é um agradecimento à vida!  À nossa e a do alimento! Terminou de almoçar, então é hora de arrumar a mesa. Como? Sim, tudo o que foi servido com tampa deve ser tampado e os hashis e tigelas voltam à posição inicial em que foram colocados à mesa.

Gafes imperdoáveis da etiqueta japonesa

O uso do hashi é milenar e as regras para o uso correto também seguem procedimentos milenares da cultura e tradição japonesa. Para um estrangeiro, não é uma gafe grave, não saber manusear com perfeição o hashi, pois não faz parte da cultura ocidental. Porém, uma lista imensa de atitudes não permitidas durante a refeição, principalmente relacionadas ao uso do hashi, fazem parte da etiqueta e boas maneiras japonesas.

Citaremos algumas, atitudes que não podem de forma alguma serem manifestadas na mesa de refeição japonesa.

Hashi e o movimento de proteção ambiental

O uso mais difundido de hashi descartáveis ​​está no Japão , onde cerca de um total de 24 bilhões de pares são usados ​​a cada ano,  que é equivalente a quase 200 pares por pessoa por ano.Na China, um número estimado de 45 bilhões de pares de pauzinhos descartáveis ​​são produzidos anualmente. Isso se soma a 1.660.000 metros cúbicos de madeira ou 25 milhões de árvores a cada ano.

Em abril de 2006, a República Popular da China determina um imposto de cinco por cento sobre hashi descartáveis ​​para reduzir o desperdício dos recursos naturais por excesso de consumo. Esta medida teve o maior efeito no Japão, que iniciou uma campanha para que os restaurantes e outros estabelecimentos comerciais utilizassem o hashi próprio da casa ao invés do descartável. Atualmente, os bentôs vendidos nos konbinis (lojas de conveniência) são acompanhados de hashi descartável. Mas o movimento ecológico vem reforçando o uso do MY HASHI, ou seja, cada um carrega seu próprio hashi, dispensando o descartável na compra do bentô.

Video:   Maneira correta de segurar o hashi

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2 comentários

  1. karina

    *Não deixar apoiado nem ENCIMA da tigela (a forma correta de escrever: em cima).

  2. Huberth dos Santos

    Ola,eu queria saber mais sobre como um ocidental pode morar no japão,e também como posso fazer intercambio em alguma faculdade,e se poderem me dar mais dicas eu agradeço…

    Sayonara

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