«

»

set 05 2011

Imprimir Post

Saúde da Mulher: Sem medo de ir ao Ginecologista no Japão!

Muitas brasileiras que vieram ao Japão na década de 90, tinham grandes dificuldades para realizarem consultas médicas devido à precária compreensão do idioma japonês. Hoje em dia, muitas empresas tem intérpretes para acompanhar as funcionárias, alguns grandes hospitais já tem assistência para estrangeiros em português, espanhol, inglês. Consultas periódicas são importantes. Saiba um pouco mais sobre o sistema de consutlas ginecológicas do Japão e cuide de sua saúde!

Encontrei o livro Saúde da Mulher editado pela International Press Japan Co. O autor Dr Cleber Sato, é ginecologista e obstetra, membro da Associação dos Profissionais Brasileiros da Área de Saúde no Japão (ABRAS-J) e da Sociedade Brasileira de Medicina Estética. Atualmente clinica no Hospital Ipiranga e no Hospital Santa em Mogi das Cruzes, São Paulo.

O livro do Dr Sato vem de encontro com as necessidades das mulheres brasileiras no Japão pelo fato dele ter realizado pós graduação na Universidade de Keio e Juntendo em Tokyo, na Universidade de Nagasaki e no Hospital Municipal de Kawasaki em Kanagawa. Durante os anos em que passou no Japão, observou de perto as diferenças culturais e linguisticas que tornam mais dificil o relacionamento entre médico e paciente.

Muitas brasileiras vieram ao Japão com intenção de ficar pouco tempo e acabaram ficando por um período mais longo ou indeterminado. Alguns vieram com filhos, outros tiveram filhos aqui no Japão e hoje são adolescentes… Os cuidados com a saúde, muitas vezes ficam de lado, devido ao tempo restrito (não querer faltar), ou condições econômicas (não ter seguro para cobrir despesas), pela dificuldade de compreender a língua japonesa (nem todas tem intérpretes acessíveis) ou mesmo por vergonha de procurar um ginecologista (normalmente são homens). Mas cuidar da saúde, fazer exames preventivos é tão importante quanto trabalhar e ganhar dinheiro. Saúde também é investimento! Sem saúde, outros objetivos se tornam difíceis de serem alcançados (poupança, casamento, filhos, aposentadoria).

Abaixo estaremos transcrevendo um artigo do livro, para conhecimento. Se tiverem interesse, poderão adquirir o livro, que será um guia indispensável, durante sua permanência no Japão. Na internet você encontrará vários artigos muito bons, a respeito da saúde da mulher, mas dificilmente estarão relacionados com a realidade da cultura japonesa. Fica a dica!

Sem medo de ir ao Ginecologista (em japonês sanfujinka 産婦人科

Algumas mulheres relatam terem medo de ir ao ginecologista. Mas este medo não seria outro sentimento como vergonha? Por ser uma especialidade que trata de áreas íntimas do corpo, há mulheres que começam a ter pensamentos infundados devido à ignorância no assunto. Deste motdo, dúvidas que poderiam ser sanadas com uma simples conversa, ou a detecção precoce de uma doença mais séria como o câncer são adiadas.
A menina pode começar a ir ao ginecologista para fazer exames de rotina a partir do momento em que começar a menstruar. Atualmente, a idade da menarca (primeira menstruação) varia entre 9 e 14 anos. No entanto, se forem percebidas alterações como corrimentos ou alterações anatômicas antes mesmo da menarca, a mãe deve levar a filha ao ginecologista especializado nesta faixa etária – ou seja, a ginecologia infanto-juvenil.
A presença da mãe na consulta não é obrigatória, mas é importante para que sejam esclarecidas as principais dúvidas, e as recomendações sejam bem entendidas. Durante o exame físico é obrigatória a presença na sala de uma enfermeira ou auxiliar de enfermagem.
Um ponto importante a ser esclarecido às mulheres que vão consultar o ginecologista é em relação à necessidade ou não de se fazer depilação. Caso não seja orientada previamente pelo médico, como no caso da realização do exame de colposcopia, no qual se utiliza um microscópio para diagnosticar lesões minúsculas nos genitais, a depilação não precisa ser feita.
Muitas mulheres pensam ser “mais higiênico” se forem ao médico depiladas, mas na verdade, além de não fazer qualquer diferençaç, elas perdem a proteção natural contra fungos e bactérias. A natureza colocou os pelos em locais estratégicos e eles estão presentes nos genitais femininos para servir de barreira contra infecções. As mulheres que se depilam com maior frequência temmaior incidência de corriemntos e de doenças sexualmente transmissíveis do que as que não se depilam. Aqui não se está pregando que a depilação não deve ser feita, mas apenas que não deve ser exagerada a ponto de eliminar todos os pelos. Utilize uma tesoura com cuidado para cortar o excesso e tirar o volume, e evite o uso de gilete e cera quente sobre os lábios vaginais. Nas virilhas não há problema de usar estas técnicas.
Antes da consulta, é de bom senso tomar banho e usar roupa limpa.  É importante ressaltar que o médico não está preocupado e nem vai reparar nestes detalhes. Estes conselhos servem apenas para que a paciente se sinta mais à vontade. Tudo o que for dito ao médico ou observado durante a consulta será mantido em segredo, conforme impões o Código de Ética da profissão.
O profissional ginecologista/obstreta deve ser procurado quando se quer fazer prevenção de doenças ou tratar de problemas no útero, tubas uterinas, ovários, genitais (vagina e lábios vaginais), mamas e na esferea sexual.  Está capacitado ainda para fazer acompanhamento pré-natal ou da menopausa, além de tratamento  de várias outras doenças. O ginecologista pode ser considerado um clínico geral da mulher. Há alguns profissionais que acabam sendo também terapeutas e esteticistas, tamanha a confiança que suas pacientes depositam nele.
Não se deve ter receio de perguntar sobre todas as dúvidas, principalmente se for questões conjugais ou sexuais. O organismo funciona muito ligado às condições da mente, ou seja, às condições psicológicas, e isso deve ser compartilhado com o médico, que tem conhecimento  para solucionar o problema.
No momento do exame físico a paciente deve ficar o mais relaxada possível para que ele seja rápido e indolor. O médico usa um aparelho chamado espéculo para examinar as mulheres que já tiveram relações sexuais. O espéculo é colocado dentro da vagina para se visualizar seu interior e o colo uterino. Se a mulher ficar bem relaxada, o exame é completamente indolor.
Recomenda-se que o exame preventivo de Papanicolau seja feito rotineirametne todos os anos, mesmo por mulheres virgens (nesse caso, há um espéculo especial). A ultrassonografia pélvica ou transvaginal é realizada em casos específicos.
O auto-exame das mamas deve ser feito aproximadamente dez dias depois da menstruação e nunca no período pré-menstrual, quando as mamas ficam mais sensíveis. A própria mulher aprende a conhecer seu corpo ao se tocar e procurar por nódulos ou outras alterações. Caso perceba algo diferente deve ser comunicado ao médico o mais rápido possível.
Orienta-se o primeiro exame de mamografia entre 35  e  40 anos. A partir daí o exame deve ser feito a cada 2 anos por mulheres sem parentes de primeiro grau acometidos pelo câncer de mama. Se houver casos na família, o exame deve ser feito anualmente e se estender até depois dos 50 anos.
A visita ao Ginecologista
As mulheres que já frequentavam consultórios ginecológicos no Brasil, provavelmente vão estranhar a primeira visita a este profissional no Japão por haver várias diferenças no atendimento, tanto estruturais como culturais.
É comum a queixa de brasileiras que vão ao médico no Japão de que ele não explica direito o problema, que não olha nos olhos da paciente, que a consulta é muito rápida, que disse não saber qual era a doença e que o relacionamento médico-paciente é muito ruim.
Estas reclamações surgem porque a maioria dos brasileiros não entende perfeitamente o idioma e a cultura japonesa. Não quero  me posicionar a favor nem contra os médicos japoneses, mas se não compreendermos os motivos culturais que levam os orientais a agir de determinada maneira, vamos estar sempre criando questões na nossa mente que nos levarão ao sofrimento.
No Brasil, é comum o médico “esticar” um pouco mais a co e nsulta ao conversar sobre outros assuntos como família, profissão e relacionamentos como uma forma  de descontrair a paciente e, também, criar um vínculo maior com ela. Este é um costume que não existe na cultura japonesa, o que torna a consulta, ao nosso olhar brasileiro, mais rápida, impessoal e fria, pois o médico só pergunta o necessário e tenta terminar logo o trabalho para que o horário seja respeitado e para que possa atender um maior número de pessoas.
Outro fato é que o médico japonês não costuma entrar em detalhes com relação a assuntos muito complicados, como explicação sobre termos técnicos de medicina e sintomas, o que pode dar a impressão de estar despreparado para clinicar- mais isso não é verdade.
Quando ir ao ginecologista
A mulher deve procurar o médico ginecologista todas as vezes que tiver alterações relacionadas ao útero (distúrbios na menstruação, dores, etc) e dos órgãos íntimos, como corrimentos (orimono) e coceiras (kayumi). No Japão, as doenças das mamas também podem ser tratadas pelo ginecologista, mas são mais do interesse do cirurgião geral (geka i).
A partir do momento em que começar a menstruar (entre  9 a 13 anos ) a menina deve iniciar a visita ao ginecologista. Poderá ir mesmo sem ter tido relações sexuais para tirar dúvidas ou para tratar de problemas que aparecem ainda sem ter perdido a virgindade. Há casos de crianças e adolescentes com corrimentos.
A menina que for a este tipo de consulta deverá estar sempre acompanhada  mãe para tranquilizá-la. Não é preciso ter receios ao fato de o médico ser homem ou mulher, pois este profissional deve seguir um Código de Ética, além do fato de uma enfermeira (kangofu san) estar sempre acompanhando o exame físico.
Marcação da consulta (shinsatsu no nichiji wo yoyaku suru)
A consulta poderá ser marcada pessoalmetne ou pelo telefone, dependendo da clínica (kurinikku, gairai) ou do hospital (byouin) em que a pessoa tem o cadastro.
Frase útil: Quero marcar uma consulta com o ginecologista – Sanfujinka no sensei no shinryoo wo uketai desu.
No dia da consulta
Procure chegar antes do horário marcado, pois os japoneses não toleram atrasos. Dirija-se à recepção (uketsuke) onde um(a) recepcionista dará as instruções.
Na maioria das clínicas, a paciente recebe um questionário (shitsumonsho 質問書) com perguntas sobre qual o problema de saúde e mais alguns dados pessoais que podem ajudar o médico a esclarecê-lo. Este formulário pode estar em japonês, inglês e em alguns locais até em português.

Veja as perguntas mais comuns no formulário

最後の生理はいつですか?Saigo no seiriwa itsudesuka?
Quando foi a última menstruação? Data que começou a última menstruação
生理の量 : 少ない・普通・沢山 Seiri no ryou : sukunai -futsuu – takusan
Fluxo mentrual: pouco / normal / intenso
生関係  seikankei
Se  já teve relações sexuais
妊娠した事がありますか?Nishin shita koto ga arimasuka?
Se já engravidou ? Quantas vezes? Tipos de parto?
流産 -Ryuuzan
Abortos
初潮 -Shochoo
Menarca (primeira menstruação)
おりもの Orimono
Corrimentos vaginais
痛み - Itami
Dor
かゆみ -Kayumi
Coceiras
傷 -Kizu
Cicatrizes e machucados
手術-Shujutsu
Cirurgias> quando e em que locais
薬 -Kusuri
Se toma algum remédio, qula e para que
アレルギ- Arerugi
Alergias a alimentos e medicamentos
Seja sincera nas respostas, pois informações erradas poderão causar sérias consequências a você, Esta ficha vai para o médico que a lê antes da consulta e já tem idéia da paciente que vai receber. Como se vê, o trabalho dele fica bem facilitado. O médico, durante a consulta, poderá fazer mais algumas perguntas adicionais que não constam no questionário.
Nunca chame o médico pelo nome como uma pessoa comum (exemplo: Sato-san) e sim por sensei que significa doutor e mostra respeito (por exemplo, Sato sensei).
A paciente será chamada pelo sobrenome para entrar na sala do médico. A entrar diga “Shitsurei shimasu (com licença)”. O médico pedirá para se sentar (Doozo okakekudasai) e fará as perguntas que achar necessário.
Segue-se então, o exame físico e aqui há uma grande diferença com o estilo brasileiro. O médico pede para a paciente se dirigir ao recinto do lado (Doozo tonari ni ohairi kudasai). Subentende-se que a paciente deverá tirar a parte de baixo da roupal, al+em da roupa íntima, e se deitas na mesa (cadeira) ginecológica. A ética japonesa obriga a presença de uma enfermeira na sala para acompanhar o exame físico e auxiliar o médico.
Mais ou menos na altura da cintura da paciente é colocada uma cortina que impede que ela veja o rosto do ginecologista durante o exame. Esta conudta é difícil de ser entendida pelas brasileiras, que muitas vezes puxam a cortina para ver a expressão do médico.
O ginecologista avisa sobre cada procedimento que vai realizar, como a introdução do espéculo vaginal, instrumento que permite a visualização do interior da vagina (ele diz: kikai ga hairimasu). É comum o médico já fazer também  o exame de ultrassonografia transvaginal, e para isso introduz o transdutor na vagina avisando: Choo onpa kensa desu.
Terminado o exame o médico diz Shuuryoo desu. A paciente deve vestir-se e voltar para a sala de consulta onde receberá informações sobre o diagnóstico e as instruções sobre o uso de medicamentos, se for o caso.  Muitas vezes é a enfermeira (kangoufu) que dá estas orientações.  Ao despedir-se do médico diga novamente Shitsurei shimasu e Arigatoo gozaimashita. O médico retribuirá com Odaijini doozo (Cuide-se)

 

 Dr. Cleber Sato autor de Saúde da Mulher  também é autor de O Guia da Gravidez no Japão e ambos poderão ser encontrados no Shopping Nippon

 

 

 

 

 

 

 

Algumas dicas úteis:

(1) Quando não souber qual médico procurar, converse com amigas que já fizeram consultas anteriores. Poderá também perguntar à empresa (empreiteira) ou ao tantousha, quais os consultórios mais indicados para você,

(2) Quando for à consulta, leva um memorando  listando todos os sintomas (de preferência, com a tradução em japonês) e também todas as suas dúvidas, pois no momento da consulta poderá esquecer de algum detalhe.

(3) Quando o médico der o diagnóstico ou solicitar um exame complementar, procure saber o que é, peça para ele escrever em japonês mesmo, o diagnóstico ou o nome do exame (kensa), depois poderá solicitar para uma amiga traduzir melhor.

(4) Procure sempre orientação de profissionais, se for necessário. Ou  poderá ligar para o DISQUE SAÚDE

O Disque Saúde é uma ligação gratuita que dá informações sobre saúde e orientação médica aos brasileiros que moram no Japão, em português. O horário de atendimento é de segunda à sexta das 9 às 17 hs. Sábado, Domingo e feriado atende pela secretária eletrônica.
Para utilizá-la, necessita registrar e ganha uma senha que seria número para ligar. o número é Tel: 080-4083-1096 (SoftBank)

(5) Recomendamos também a leitura dos artigos abaixo:

Aprendendo mais sobre cólicas menstruais: sintomas, cuidados, tratamentos

O que é infecção urinária? Quais os sintomas e causas? Cuidados e prevenção!

**************

Quem tiver interesse em concorrer ao sorteio de um exemplar do Livro Saúde da  Mulher, escreva um depoimento sobre dúvidas, experiências ou dicas. No final do mês de outubro estaremos sorteando entre as pessoas que fizerem seus depoimentos ou comentários abaixo. Grata.

**************

Link permanente para este artigo: http://blog.suri-emu.co.jp/?p=528

1 comentário

  1. Karen Ito

    Ola. Vivo no Japao. Me acostumei ao tratamento impessoal, mas nao gosto de medicos que passam medicamentos sem fazer exames para saber qual o problema. Tambem ouvi de muitas pessoas, inclusive, meu marido, que as anestesias nas cirurgias muitas vezes nao pegam. Muitos medicos que deveriam retirar tumores, infeccoes, etc, na cirurgia, no exame pos cirurgico dizem que restou um pouco e que no futuro provavelmente vai precisar fazer a cirurgia de novo. Ou o medico e muito ruim ou esta agindo de ma fe para ganhar dinheiro. Mesmo que voce va fazer uma cirurgia simples eles dizem que voce pode morrer, a pessoa ja vai p cirurgia arrasada. O pior e que nao se importam em deformar a pessoa, a sutura e grosseira, mal feita mesmo, deixam cicatrizes horriveis. Muitos obstetras ainda brigam com brasileiras querendo fazer cesarea na vertical. No Br foi abolido ha mais de 30 anos. Tem muita estrutura, mas em questao de conhecimento, estao muito atrasados em muitos pontos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode usar estas tags e atributos HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

* Copy This Password *

* Type Or Paste Password Here *

Translate »