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ago 29 2011

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O que é humildade para você? Como é a humildade no Japão? Lições aprendidas no terremoto de Tohoku, 11 de Março

Muitos grandes motivos podem ser destacados para justificar a reconstrução do Japão pós guerra, como também a atual situação pós terremoto, em marcha ao reerguimento do país. Dentre muitos: honestidade, solidariedade, humildade.

 A humildade, muito diferente do sentimento de inferioridade ou rebaixamento, da pobreza ou penúria. Falamos da humildade, da capacidade de reconhecer os próprios erros, defeitos e limitações, da modéstia, da demonstração de respeito a si próprio e ao outro.

Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à reconstrução.Monja Coen”

A humildade ( em japonês KENKYO 謙虚) é considerada uma virtude no Japão.  No relacionamento interpessoal, seja no trabalho, nos negócios ou em qualquer outro ambiente, devese mostrar sempre modéstia, colocando o outro em posição superior à de si próprio.

Esta regra é seguida por todos os japoneses e é tão importante dentro da sociedade que existem até expressões próprias na língua japonesa para manifestálas. Conheça algumas delas:

 

Tondemo arimasen

Usado por alguém que foi elogiado por outra pessoa, por qualquer motivo. Significa “Não, não é nada disso”. Nunca se deve se mostrar esnobe com o elogio recebido.

 

 

Tsumaranai mono desu ga…

Quer dizer, literalmente, “não é nada interessante”ou “não é nada de mais”.  É usada quando se dá algum presente a alguém.  Na verdade, o presente pode ter custado caro, mas deve-se mostrar humildade.

 

 

Iie, mada mada desu

A palavra mada quer dizer “ainda não” mada mada reforça a idéia de que falta muito para chegar à altura em que foi colocado.  É usado, por exemplo, quando se recebe elogios de que fala bem o idioma japonês, de que é habilidoso em sua tarefa ou que é eficiente no trabalho.

Humildade em qualquer lugar

A humildade é uma arma para o crescimento e aprendizado seja profissional ou pessoal. Veja por que:

♦ para conhecer todo potencial é preciso descobrir nossos limites.

♦ trabalho, conhecimento e humildade se completam: trabalho exige conhecimento e para obter conhecimento é preciso que se tenha humildade.

♦  é mais fácil perder a oportunidade por orgulho do que pela humildade.

 

Selecionamos e publicamos  três textos interessantes sobre Humildade.

 

Sonia publicou no Blog Colher uma Flor pode abalar uma Estrela, um texto abaixo:

Humildade não consiste
em esconderes teus talentos e virtudes
ou em considerar-te pior e menos qualificado
do que realmente és.
Não demonstras nenhuma humildade
quando te subestimas e te desqualificas
diante de ti mesmo.
Apenas contribuis para que as outras pessoas
da mesma forma te menosprezem e façam pouco de ti.
Mas exaltar os teus feitos e predicados
também não é uma alternativa recomendável.
O sol não manda arautos a cada manhã
para anunciar que está chegando
e no entanto é impossível alguém ignorar a sua presença.
Tampouco é traço de humildade usar de falsa modéstia
para que descubram, deslumbrados,
o teu ser monumental:
– isto seria apenas
uma refinada demonstração da tua vaidade.
Humildade
consiste apenas em teres clara consciência
e em seres capaz de reconhecer
diante de ti e dos outros,
de modo sincero e espontâneo,
o que és e o que não és,
o que sabes e o que desconheces
o que és capaz e o que não podes
o que já alcançaste e o que te falta.

 

Charles Chaplin

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome… Auto-estima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é… Autenticidade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de…  Amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é… Respeito.

Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável… Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama… Amor-próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é… Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a… Humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é… Plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é… Saber viver!!!

 

 

Monja Coen  publicou Mensagem da Monja Coen sobre o Japão de agora, um texto que emociona pela forma clara e simples, porém profunda de descrever a humildade do povo japonês frente a um acontecimento como o Terremoto e tsunami de Tohoku em 11 de Março…

 

Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro.
Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência.
Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar à serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?

Outra palavra é gaman: aguentar, suportar. Educação para ser capaz de suportar dificuldades e superá-las.
Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo de duas maneiras.  A primeira pela violência do tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima. A segunda pela disciplina, ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas. Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros.
Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém. Compartilhavam cobertas, alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área. As crianças não faziam algazarra, não corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado.
Não furaram as filas para assistência médica – quantas pessoas necessitando de remédios perdidos – mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção médica, alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água.
Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte.
Nos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques. Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que recebiam. Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão.
Sumimasen é outra palavra chave.  Desculpe, sinto muito, com licença. Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver. Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta. Desculpe pela minha dor, pelo minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo. Sumimasem.
Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um todo, somos cuidadas e respeitadas.
O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei. Cada um de nós, cada uma de nós é o todo manifesto.
Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico. As vítimas encontradas, vivas ou mortas eram gentilmente cobertas pelos grupos de resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias, helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais.
Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de que “somos um só povo e um só país“.
Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas. Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo.
Aprendemos com essa tragédia o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória, nada é seguro neste mundo, tudo pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente.
Reafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra. O planeta tem seu próprio movimento e vida. Estamos na superfície, na casquinha mais fina. Os movimentos das placas tectônicas não tem a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos. O que podemos fazer é cuidar da pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos. E isso já é uma tarefa e tanto.
Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à reconstrução.
Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que acompanharam os eventos que se seguiram a 11 de março.
Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar.
Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso dizer : todas. Todas eram e são pessoas de meu conhecimento. Com elas aprendi a orar, a ter fé, paciência, persistência. Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas.
Mãos em prece (gassho)
Monja Coen

 

Fonte: Monja CoenBlog Colher uma Flor pode abalar uma Estrela e Guia do Trabalhador (Internacional Press).

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