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jun 06 2011

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Ajudando a encontrar seu emprego no Japão: (3) Dicas para fazer uma entrevista por Claudia Hirashima

(3)  Dicas para fazer uma entrevista de emprego.  Este texto é a transcrição autorizada do post do Blog Rosa de Hirashima, narrada de forma simples e objetiva, a própria experiência passada na hora de procurar um emprego no Japão.

A série <Ajudando a encontrar seu emprego no Japão> divulga dicas para se preparar para procurar emprego no Japão. O primeiro post foi Organizando histórico profissional. O segundo artigo foi Organizando documentos. Este é o terceiro artigo da série: Dicas para fazer uma entrevista de emprego!

 

Aqui não postaremos os anúncios de empregos. Somente dicas que ajudarão você a encontrar o emprego que está procurando. Mais do que isso, vai procurar orientá-los nos diversos ítens que envolvem a seleçao de pessoal, informações sobre como agir e se comportar conforme as ocasiões. Se você está bem empregado, poderá utilizar nossas dicas para sua orientação pessoal e profissional para futuras vagas.

 

——————- Minhas dicas para quem vai pedir emprego no Japão.Shigoto Yooooshi! ——————-

Texto de Claudia Hirashima Dias-  Aichi , postado dia 04 de junho de 2011


O terremoto do dia 11 de março afetou todo o país e consequentemente, a estabilidade financeira da minha casa. Recem chegada do Brasil, com a esperança de finalmente poder juntar dinheiro suficiente pra voltar  ao Brasil definitivamente, comecei a trabalhar numa fábrica de auto peças. Trabalhei 10 dias e depois, não só o sonho acabou, como o dinheiro também. Entrei em desespero, porque vi que a nossa tão esperada viagem de volta ao nosso querido Brasil ia ficando para trás.

Medo do terremoto, medo de ficar sem comida, sem água, sem energia, sem esperanças… Montei kit de emergência e deixei na porta. Dormia com DUAS lanternas, pro caso de uma falhar. Dormia segurando o celular e os óculos (sem eles, sou completamente inutil). Deixava do lado do futon, uma calça, uma blusa e um par de meias.
O Beto e o Lucas estavam mais tranquilos e ficavam bravos comigo, achavam que eu estava exagerando.“Pra não sentir tanto medo, me deixa prevenir. Me sinto segura arrumando diariamente as nossas coisas, ou voces preferem me ver chorando e pedindo pra voltar pro Brasil?”, depois que falei isso, eles pararam de se incomodar.
Ficar em casa é muito bom; poder acordar tarde, ver tv o dia todo, deixar a casa sempre arrumada e perfumada, roupa lavada, almoçar com o Lucas, jantar com a familia. Seria perfeito se não fosse um pequeno detalhe: falta de dinheiro.
Fiz alguns serviços temporários que me enriqueceram muito, no sentido de aprendizado. Conheci um bentoya e uma fabrica de doces. Bentoya….. nem o Osama Bin Laden merece um castigo desse (brincadeira! mas pra quem não esta acostumado com o ritmo de um bentoya, é muito sacrificante e estressante ). Fabrica de doces… amei trabalhar lá, aprendi a fazer rosquinhas, torradas e confeitar bolo.
Mas eu precisava de um emprego fixo, que pudesse pagar nossas contas pelo menos. Antigamente, quando ia fazer compras, nem olhava a carteira, pois sabia que tinha o suficiente. Hoje, contamos as moedinhas e nunca mais esquecemos de levar nossa Eco Bag pro supermercado e assim evitar de pagar pelas sacolas do supermercado.
Bom… fui pedir emprego em uma fábrica onde já tinha trabalhado em 2008/2009. Fui na maior cara-de-pau, sem ligar, levando um contrato velho.
Minhas dicas para quem vai pedir emprego no Japão.
Correto: Se não puder ir pessoalmente solicitar uma entrevista, ligue para agendar e anotar os documentos que irá levar no dia.
Errado: Apareci sem ligar e no desespero de conseguir uma vaga, aceitei agendar para o dia seguinte a entrevista. Tive que sair correndo pra providenciar os documentos, tirar foto e ir até o Departamento de Imigração pedir um papel que eu nem sabia que existia. Cheguei em cima da hora, mas com tudo providenciado. Meu marido saiu do Yakin (trabalho noturno), me levou até Nagoya, ao Apita tirar foto, comprar curriculo, comer um american dog e me deixou na porta da fabrica. Ficou me esperando pra me levar de volta pra casa e finalmente dar uma cochilada pra ir trabalhar a noite. Se voce não tiver um super marido, agende para um dia que voce tenha certeza de ter tempo de providenciar tudo.
Correto: Vá com uma roupa discreta, não precisa ser terninho-engomadinho, com uma bolsa pequena que caiba os documentos, celular, carteira, etc.
Errado: Eu tenho uma bolsa linda, verde. Grande. Coloquei minha blusa, sombrinha, celular, carteira, etc, etc. Quando a moça perguntou o número do meu celular (não sei de cor) não consegui achar, tive que tirar blusa, sombrinha, e tudo o mais que estava em cima do celular. O danado estava escondido no fundo da bolsa!
Correto: Sente-se ereta, com as mãos sobre o colo e responda calmamente as perguntas. Antes de ir para a entrevista, procure saber sobre a empresa, se for por indicação, converse com seus amigos, pergunte sobre tudo! Horario de trabalho, quem é o chefe, o chefe do chefe, salário, dia de pagamento, rotina de trabalho, particularidades. E o mais importante de tudo: estude o idioma e seja sincero ao dizer nihongo… amari hanasemasen.
Errado: Eu entendo (se falar devagar), falo (se tiver paciencia para esperar eu formular uma frase), leio katakana, hiragana, alguns kanjis (ainda não consigo ler um Yomiuri Shimbun, mas chego lá). Para a entrevista, me deram um papel com algumas perguntas. Nihongo chotto… A moça, me desdenhando, falou yomemasen? kakemasen? mensetsu dekinai. Será que ela não me conhece? Não sabe que trabalhei quase dois anos lá? Cadê o Umeda san pra me salvar?Ah, mas eu vou responder essas perguntas, ela não vai me vencer assim. Respondi TUDO! do meu jeito, né? O que não entendi, falei que tinha lido, mas não tinha entendido o signifcado. Japoneses tem um codigo secreto pra perguntar certas coisas. Eles evitam fazer perguntas diretas e dão respostas evasivas. Eu li tudo, mas enrosquei nesse codigo.
Correto: Responda sinceramente todas as perguntas, mas procure não ser tão objetivo.
Errado: Nas perguntas Que tipo de serviço você mais gosta?Que tipo de serviço não gosta?, respondi serviço rápido e detalhado para gostar e serviço lento e pesado para não gosto. Eu queria muito voltar para a minha antiga seção e descrevi o tipo de serviço que faz lá. Não voltei para a seção, mas para a subseção dela. É um lugar tranquilo, mas minucioso ao extremo. O resultado da minha “leitura” de kanji? Vou ter de ler e escrever em kanji o dia todo e a única pessoa que poderia me ajudar, pediu demissão e ontem foi o último dia dela, agora vou ter que aprender na marra, pois vou trabalhar sozinha e terei que carregar as caixas pesadas sozinha.
Muitos blogs e livros dão dicas sobre comportamento, roupas, ensinam o que falar e o que não falar. Ensinam como se tornar uma pessoa “contratável”. Minha dica é: seja você mesmo, seja natural, porque se te contratarem e você se mostrar diferente do que na época da entrevista, você não durará uma semana. Seja educado, desligue o celular, mostre interesse e pergunte se não entender alguma coisa.
Meu primeiro dia, foi muito bom! No final da explicação sobre o funcionamento da empresa,  um amigo (japonês) que é chefe do departamento de qualidade, se levantou da mesa e veio me cumprimentar falando kita, kitayo! O encarregado da seleção de candidatos pediu para que eu acompanhasse os novatos e mostrasse onde guarda os sapatos – perai! então ele sabia quem eu era e me deixou sofrendo com aqueles kanjis
Nos corredores, no refeitorio, no vestiario, onde encontrava gente, ouvia hisashi-buri. Foi bom reencontrar o pessoal, mas o que me marcou mesmo, foi ouvir dos chefes além de ohisashi-buri, onegai shimasu. Quando fui pedir emprego, todos ficaram sabendo, do kakaricho ao shain. No dia da entrevista, meu antigo chefe falou para as meninas que eu estava no escritório.
No segundo e terceiro dia, continuei encontrando gente e era muito gratificante ver sorrisos e felicitações pelo nascimento da Laís. Todos já estavam sabendo que Amanda tinha se casado e que eu ganhara uma neta. Todos queriam saber se ela também ia voltar a trabalhar lá.
Minha segunda dica é: trabalhe com vontade e com responsabilidade. Seja flexivel no horário, aprenda, pergunte, ajude, sorria, não faça fofoca nem panelinha. Mantenha limpo e organizado seu local de trabalho. Se estiver aguardando serviço, pergunte o que pode fazer enquanto isso ou pegue uma vassoura e uma pá e limpe, limpe, limpe.
Hoje – sábado – passei o dia estudando kanji. Meu sensei me deu dicionários, livros e mais livros, que estavam encostados desde que cheguei do Brasil em fevereiro. Ele vai ficar orgulhoso de mim ao saber que ainda consigo ler e traduzir pequenos textos.
Resumindo: Se voce não tiver uma fábrica para voltar, onde todos o conhecem e gostam do seu serviço, procure construir sua história fazendo o melhor que puder, se esforçando para ter sempre um lugar onde possa voltar. Apesar da minha entrevista ter sido um desastre, consegui um emprego e um novo desafio.

Postaremos dois videos  Saiba como se comportar numa entrevista de emprego e  O que não fazer numa entrevista de emprego

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Claudia Hirashima Dias escreve no Blog ROSA DE HIRASHIMA Visitem!

Alguns posts interessantes: Minha vida dentro de um saco plástico, Atatakai kokoro, O que posso fazer? , Ficar ou fugir?

Claudia está no Facebook e participa do Grupo Blogs no Japão da Suriemu

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Leia os artigos da série : Ajudando a encontrar seu emprego no Japão:

(1) Ajudando a encontrar seu emprego no Japão: Organizando histórico profissional

(2) Ajudando a encontrar seu emprego no Japão: Cadê meus documentos que estavam aqui?

(4) Dica de maquiagem para entrevista de emprego! Ajudando a encontrar seu emprego no Japão!

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