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jun 04 2011

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Gambaro Nippon! Lições de Solidariedade! Viagem à Fukushima – Ombro Amigo

Desde o dia 11 de Março, muitas entidades sem fins lucrativos, comunidades, empresas, enfim, todos os moradores do Japão e porque não dizer, de todos os países, vem ajudando de alguma forma na reconstrução e no reerguimento da região terrivelmente afetada pelo terremoto, tsunami e crise nuclear, TOHOKU, nordeste do Japão!
Muitos destes trabalhos são voluntários, de pessoas anônimas que contribuem com donativo, com seu trabalho, com sua palavra, com seu amor.
Aqui divulgaremos o trabalho realizado  por uma das comunidades brasileiras que junto com uma equipe de Massagistas, foram até Fukushima em maio.
Agradecemos a autorização de publicação do texto abaixo, para que um maior número de pessoas conheçam este trabalho e se motivem também para futuras campanhas, pois a região atingida ainda precisa muito da nossa ajuda. #Gambare Nippon

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Relatório do Ombro Amigo – Ida a Fukushima – 17 a 19 de maio de 2.011 Texto de Ana Shudo – Fotos de Ombro Amigo

Foto by Ombro Amigo- Chegamos na 3a. feira, dia 17 de maio, com muita vontade de doar, de sermos solidários, de retribuir tudo o que conseguimos neste país. Mas, ao contrário, ganhamos muitos presentes - em forma de gestos, palavras carinhosas, carinho, origami e até um quadro de lírios. Esse artista fez em homenagem aos massoterapeutas voluntários! Foi tudo muito emocionante!

 

Na segunda-feira a noite uma equipe composta de 17 pessoas da instituição Ombro Amigo partiu de Nagoya rumo a Koriyama (Fukushima). Depois de ouvir as palavras do Heber, que gentilmente cedeu seu ônibus e sua disposição para dirigir por 8 horas, relatando a situação na localidade, por experiências anteriores, todos partiram com alegria e vontade de servir aos irmãos japoneses.
Pela manhã do dia 18 chegaram ao local e a coordenação do local forneceu um espaço para que os massoterapeutas pudessem colocar mãos de amor e carinho a fim de diminuir o estresse daqueles desabrigados. Somente na 3a. feira foram feitos mais de 100 atendimentos, maioria de pessoas idosas, com seus corpos endurecidos pela tristeza do afastamento de suas casas por causa da radiação da usina nuclear de Fukushima.
Eram pessoas que, além da massagem, queriam desabafar, abrir o coração e, assim, tentar amenizar o cansaço da espera, o cansaço de viver num pedacinho de chão de concreto gelado, o cansaço de não ter esperança…
Maria Gracete Suzuki, conhecida por Gracete, decidiu ir a Fukushima quando o voluntário Hidekichi Hashimoto ligou para ela uma semana antes da partida. Sem mesmo consultar os massoterapeutas de seu grupo (pois tinha convicção de que eles iriam atender ao pedido do amigo), logo confirmou a ida.
Fundadora do Ombro Amigo, começou a agir convocando outros voluntários, não só para oferecer massagem, mas para o preparo de 2 mil brigadeiros e arrecadação de fundos para bancar a viagem. Eis que logo soube que podia contar com o apoio de Heber, morador da província vizinha de Gifu. Além de ceder seu ônibus, como já citado, foi de uma boa vontade sem tamanho, compartilhando conhecimento e disposição, com sua alegria, fé e benevolência.

2mil brigadeiros preparados pelos voluntários brasileiros by Heber Diver

 

Foto de Ombro Amigo - Olha a moçada com a mão na massa! Eles fizeram massagem o dia todo, receberam amor e não se cansaram!

 

A principal missão de deslocar uma equipe a Fukushima foi a de levar um pouco de conforto espiritual aos 1.200 japoneses abrigados no Big Palette – um centro de convenção. “Estamos relatando aqui as nossas ações para prestar contas àquelas pessoas que imediatamente atenderam aos nossos pedidos de colaboração e jamais para aparecer na mídia”, afirma Gracete.

Outros motivos foram a solidariedade e a materialização do sentimento de gratidão ao povo japonês que acolheu a comunidade brasileira. Compartilha com o sentimento de Emerson, um massoterapeuta que está de partida para o Brasil e soube da ida a Fukushima através do Orkut. Ele quis integrar a equipe para demonstrar seu “ongaeshi” (sentimento de gratidão e retribuição) ao Japão.

Ainda na 3a. feira, dia 17, um grupo composto por empresários brasileiros se uniu para levar, preparar e servir pão com churrasco, salada, peixe do Amazonas, alimentos frios como biscoitos e doces, para os desabrigados. Formou-se uma extensa fila para essa distribuição e se ouviam vozes dizendo em japonês “que delícia!
Fazia tempo que não comíamos carne” ou “quanta gratidão a vocês que vieram de tão longe”. Seu João da Servitu, cuja origem é da província de Fukushima, participou do apelo de Hashimoto com alegria por poder proporcionar uma comida quentinha que há muito os desabrigados não podiam saborear.
No final desse dia a equipe do Ombro Amigo abriu as tampas das caixas brancas cheias de brigadeiros. As crianças ficavam curiosas para saber do sabor desse doce típico brasileiro e, depois de adoçarem a boca, vinham dizer “arigato”, “tá gostoso” ou “quero mais um”. Logo após o anúncio só crianças e adolescentes vieram sem cerimônia, mas os adultos só comparecem depois que eles espalharam sobre o sabor do brigadeiro e saíam elogiando o gesto e o doce.

"O gurí comeu um brigadeiro em 2 segundos !!! Muito dez!" by Heber Diver

 

Serginho, do My Brasil, Tomas de uma empreiteira, Toshi da Federal Trading, o casal Mário e Madalena conhecido da comunidade por seus lanches ambulantes, mais seus companheiros, funcionários e colegas, não pouparam esforços para levar produtos e disposição para o preparo.
A foto abaixo mostra a equipe toda uniformizada que colaborou nesse dia com ar verde-amarelo. Ainda, um grupo de artistas peruanos apresentou música e dança típica, além de outros estrangeiros como o David, da Fisk, que é venezuelano e Ravi, indiano, integraram esse imenso grupo multicultural.
As primeiras imagens sobre as condições de convivência no Big Palette impressionaram pois, independente do tamanho da família, as 1.200 pessoas receberam apenas um cantinho do tamanho de 2 a 3 tatamis, no máximo. Cerca de 80 crianças continuam frequentando a escola de ônibus, os idosos com doenças de todos os tipos e adultos que não podem sair para o trabalho porque estão longe de suas lavouras ou comércio, estão todos acometidos de um grande estresse.
Apesar da limpeza, higiene e organização, a convivência comunitária não é fácil. Mas, pior do que isso é a falta de previsão do governo japonês em resolver a situação deles. “Se fôssemos vítimas do tsunami estaríamos mais resignados. Mas, fomos expulsos da própria casa por causa da explosão da usina nuclear. Isso não é uma fatalidade da natureza, é do homem. Estamos aqui cansados de esperar”, disse um homem que recebia massagem.
Uma idosa de 80 anos chorava suas mágoas querendo voltar à lavoura. Confessou que não aguenta ficar esperando quando já deveria ter plantado as mudas de arroz. Estava muito preocupada com a radiação e com as ervas daninhas que já devem ter tomado conta de suas terras. “Estou aqui com meus filhos e netos, em 6 pessoas e tudo o que queremos é voltar para a nossa vida normal”, dasabafava durante a massagem.
Da dor e cansaço nasce uma arte
O casal Endo tem uma “casinha” toda decorada, a qual chama a atenção de todos os demais “moradores” e dos visitantes. Dono de lavoura e sem filhos, ele e a esposa se sentem entediados com a vida que estão levando. Mas ele não se deixa abater. As caixas de papelão já usadas para servir de parede das casinhas viram obras de arte que enfeitam as paredes do Big Palette (vide foto). Ou melhor, alegram e acalmam os corações dos “moradores”. A esposa conta que ele recebe uma inspiração e em menos de meia hora está com a obra pronta. Da reciclagem nascem hortências coloridas, cerejeiras, glicíneas ou peixes ornamentais.
Em homenagem aos massoterapeutas que aplicaram massagens ao casal, Endo-san inspirou-se nos lírios brancos para produzir uma linda obra. Os brasileiros do Ombro Amigo sentiram-se lisonjeados e com missão cumprida no local com o presente. Seu sentimento de gratidão não parou por aí. Endo-san entregou uma camisa colorida feita de origami para cada um. Quando se abria a camisa estava escrito “arigato gozaimasu”. Ele emocionou todos com seus gestos.
Cidade de espíritos
Deixando Koriyama para trás, a equipe do Ombro Amigo se deslocou para Iwaki-Cho. Se antes a cidade vivia de pesca e turismo, depois do tsunami ela está em reconstrução. Há vestígios de que há 2 meses era uma linda cidade praiana. Agora, o que marca são as casas, barcos, carros, estradas e comércio devastados.
Ao lado dela situa-se a pequena cidade de Hirono-Cho, quase que totalmente destruída. Dentre os destroços destaca-se uma vista composta por um cemitério e à sua frente um local varrido pelo tsunami. Hirono-Cho transformou-se numa cidade de espíritos composta de almas dos antepassados que tentam resgatar aquelas que ainda não se elevaram para descansar em paz.
Assim como essa, centenas de cidades da costa de 600 Km, todas devastadas, precisam se reerguer das cinzas. Milhares de desaparecidos ainda não conseguiram encontrar seu caminho de luz e paz.
Gracete faz um apelo para que todos orem por essas almas para que descansem em paz nos braços do Pai Celestial e para seus familiares que estão nos abrigos que tenham forças para continuar a viver e reconstruir as cidades.

Texto de Ana Shudo

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