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set 19 2012

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Ilhas Senkaku, motivo de tensão entre Japão e China

Um pequeno arquipélago composto por oito ilhas (6,8 km² , o equivalente a 26 campos de futebol)- chamado de ilhas Senkaku pelos japoneses e de ilhas Diaoyu pelos chineses – é motivo de tensão entre as duas principais potências asiáticas. Três ilhas do território foram compradas pelo governo japonês, até de propriedade privada de familia japonesa. A partir de então, houve uma série de protestos na China contra os vizinhos. Além de atos em frente a embaixada e consulados, funcionários chineses de empresas japonesas instaladas no país chegaram a promover quebra-quebra nos locais de trabalho, obrigando as companhias a suspenderem as atividades

As Ilhas Senkaku (em japonês 尖閣諸島, Senkaku-Shotō) ou Diaoyu (em chinês 钓鱼台列岛, Diàoyútái Lièdǎo) são um grupo de ilhas inabitadas controladas atualmente pelo Japão, mas também disputadas pela República Popular da China e pela República da China (Taiwan).

História das ilhas Senkaku

Em documentos históricos chineses, o mais antigo data da era Ming. Em 1556, (Hu Zongxian) definiu uma área de linha de defesa contra piratas, e neste incluiu as ilhas Diaoyu. No mapa criado nessa época, incluiu Diaoyu como um arquipelago da região costeira de Fujian. Em documentos da mesma época, registros de emissários do governo chinês que viajavam para Ryukyu (atual província de Okinawa) mostram que para eles, as ilhas Diaoyu eram a fronteira com o mar de Ryukyu.

Em 1785, Shihei Hayashi faz um mapa e descreve essas ilhas como território chinês. Um dos argumentos utilizados pelos chineses para reivindicar a posse do arquipélago.

Em 1881 o Japão define o arquipélago como parte da província de Okinawa, que foi anexada em 1879, mas só a anexa oficialmente em 1895 durante a guerra sino-japonesa. Não foram feitos acordos com relação ao arquipélago, e o argumento do governo japonês se resume na lei do usucapião, já que as ilhas eram desabitadas.

O governo chinês não protestou a posso das ilhas nesse momento, e após a segunda guerra mundial, quando foi definido que o Japão deveria devolver todos os territórios ocupados militarmente.

O governo japonês deu a posse de algumas ilhas à família Koga, que a ocupou até a segunda guerra mundial, que fez grande negócio com a matéria prima encontrada no arquipélago.

Em 1919, um navio chinês naufraga na região, e seus tripulantes são socorridos pelo prefeito da cidade de Ishigaki, que no ano seguinte (1920) recebe uma gratificação do consul chinês, que no texto escreve o nome das ilhas Diaoyu com endereço japonês. O que seria um argumento para os japoneses fortalecer seu direito de posse.

A partir do final do século 19, o Japão iniciou uma campanha expansionista que só acabou em 1945. “Nesse tempo, os japoneses ocuparam boa parte da China, além da Coreia e outras ilhas da região”, conta. A China afirma que as ilhas Senkaku foram descobertas por chineses em século 14, mas em 1895 passaram para o Japão de acordo com o Tratado se Shimonoseki, assinado no fim da primeira guerra sino-japonesa.

Com o fim da Segunda Guerra e a vitória dos Aliados, coube aos Estados Unidos decidir o que seria do Japão. Em 1951, foi assinado o Tratado de São Francisco, que passou para os americanos o controle da região de Okinawa (incluindo aí o arquipélago) que tornou-se base militar e campo de treinamento para os ianques e devolvida em 1972, o controle da região aos japoneses, mas nenhum dos dois documentos é reconhecido pela China. 

Em 12 de outubro de 1968, a ECAFE (UN Economic Commission for Asia and the Far East) inicia pesquisas submarinas na região, que dura até 29 de novembro, dando sinais de que a região seria rica em gás e petróleo. Então a partir do ano seguinte, a República da China e a República Popular da China começam a reivindicar a posse do arquipélago.

Em 9 de abril de 1971, os EUA declaram a devolução do arquipélago Ryukyu (incluindo as ilhas Diaoyu) ao governo japonês, e que o problema da posse deveria ser resolvido entre as partes envolvidas. Houve uma série de protestos, e um dos líderes do protesto nos EUA é o atual chefe do governo Taiwanes Ma Yinjiu.

fonte Wikipedia

Formação da ilhas Senkaku

O arquipélago é formado por cinco ilhas vulcânicas, denominadas:

  • Uotsuri-jima (魚釣島)⊕ ou Diaoyu Dao (釣魚島本島 o 主島) – com 4,319 km²
  • Kuba-jima (久場島) ou Huangwei Yu (黃尾嶼 ) – com 1,08 km²
  • Taishō-jima (大正島) ou Chiwei Yu (赤尾嶼 )
  • Kita Kojima ou Beixiao Dao (北小島 )
  • Minami Kojima ou Nanxiao Dao (南小島 )

 

 

Uotsuri, a maior das ilhas de Senkaku

Hoje, a ilhas não são habitadas, tendo apenas um farol, construído por um grupo civil japonês (radicais de direita), mas agora sob a administração do governo japonês.

O governo japonês, temendo a reação das Chinas, mantem a ilha intocada, não permitindo que até mesmo agentes da prefeitura de Ishigaki, onde pertence o arquipélago pelo mapa político, desembarquem nas ilhas.

As ilhas estão localizadas ao nordeste de Taiwan, exatamente a oeste de Okinawa, e ao norte das Ilhas Ryukyu, no Mar da China Oriental. A área insular total da ilha é de sete quilômetros quadrados.

As ilhas Senkaku ficam localizadas a 2 mil km de Tokyo, a 410 km de Naha, capital de Okinawa, a 170 km da ilha de Ishigaki, Okinawa, a 170km de Taiwan e a 330 km da China.

A compra das ilhas pelo Japão

Em 2012, foi anunciado que o Japão pretende nacionalizar as ilhas. O Governo japonês, que pretende reforçar o controle sobre as ilhas Senkaku.

A aquisição das ilhas aos seus atuais proprietários japoneses família Kurihara, importará em 2,05 bilhões de ienes (26,1 milhões de dólares, correspondente a cerca de 52 milhões de reais),  aquisição de três das ilhas, incluindo a maior delas, Uotsurujima.

Por que as ilhas são disputadas?

As oito ilhas ocupam um total de 7km² ao noroeste de Taiwan, a leste da China continental e ao sudoeste de Okinawa, no Japão. Sua importância é estratégica: elas ficam próximas a importantes rotas de navios, posição estratégica para embarques de mercadorias, são abundantes em áreas pesqueiras e possivelmente contêm reservas de petróleo e grande potencial para exploração de  gás natural.

fonte : Abril

 

Entretanto, a disputa pelas ilhas vai além da simples demarcação de fronteiras. A ferida entre China e Japão é muito mais profunda.  “O resultado da Segunda Guerra não foi satisfatório para a China. O Japão cometeu atrocidades durante a ocupação do país e os chineses consideram que até hoje nunca houve uma reparação à altura. Por isso, qualquer pretexto dos dois lados é o suficiente para reacender a rivalidade”.

Já houve incidentes prévios no local?

O jornal Yomiuri publicou que em 1996, um grupo japonês construiu um farol em uma das ilhas. Depois disso, diversos ativistas chineses viajaram ao local em protesto. Em 2004, o Japão prendeu sete desses ativistas assim que eles atracaram.

Também já houve desavenças entre barcos pesqueiros e de patrulha envolvendo japoneses, chineses e taiwaneses. Em 2005, 50 barcos taiwaneses protestaram na região das ilhas, alegando receber tratamento injusto por parte de fiscais japoneses.

Em 2010, o Japão deteve um barco pesqueiro chinês que se chocou com dois barcos de patrulha japoneses nos arredores das ilhas, criando uma séria crise diplomática. Protestos anti-Japão foram realizados em diversas cidades chinesas. O Japão acabou libertando os tripulantes do barco pesqueiro.

Jornal Jiji Press publicou:  No capítulo mais recente da disputa, os chineses enviaram seis navios de guerra na manhã do dia 14/9 até Senkaku três dias após a decisão do governo japonês de tentar comprar e nacionalizar o arquipélago. Os barcos se posicionaram a 22 km do arquipélago e o clima esquentou tanto que o primeiro-ministro do Japão, Yoshihiko Noda, declarou que as autoridades japonesas “farão o necessário para vigiar os navios chineses”. Os chineses responderam afirmando em comunicado oficial que “dois grupos de navios de vigilância chineses chegaram às águas que cercam as ilhas Diaoyu no dia 14 de setembro de 2012 para patrulhar e fazer cumprir a lei. Estas patrulhas têm por objetivo demonstrar a jurisdição da China sobre as ilhas e preservar seus interesses marítimos”.

Fonte: The Australian News

Em seguida, após a China enviar navios de patrulha para o território, o Japão hasteou sua bandeira nas ilhotas. A reação japonesa irritou os chineses, que finalmente tomaram as ruas de grandes cidades, como Guangzhou, Shenzhen, Shenyang, Hangzhou, Harbin e Qingdao. Funcionários de empresas japonesas instaladas na China também protestaram, com quebra-quebra nos locais de trabalho. Empresas como Panasonic e Honda tiveram de paralisar suas produções no país.

PROTESTOS CONTRA JAPÃO MAIS VIOLENTOS NA CHINA Em várias cidades, os manifestantes saquearam lojas, atacaram automóveis da Toyota e invadiram fábricas, incluindo duas unidades da Panasonic.

Os protestos do dia 18 de setembro, em 1931 o Japão invadia a China, ocupando uma parte num prenúncio da  2a Guerra Mundial.  Os manifestantes direcionaram seu protesto também contra firmas japonesas conhecidas, como Toyota Honda, levando à suspensão parcial das suas operações. Empresas japonesas fecharam centenas de lojas e fábricas em toda a China, e a embaixada do Japão em Pequim voltou a ser cercada por manifestantes que atiravam garrafas de água, agitavam bandeiras chinesas e gritavam palavras de ordem que evocavam a inimizade do tempo de guerra. Outras companhias do Japão, incluindo Mazda, Mitsubishi Motors, Panasonic e Fast Retailing, também fecharam fábricas e lojas na China, o que derrubou a cotação de ações japonesas.

Mil embarcações da China rondam em torno das ilhas Senkaku, compradas pelo Japão recentemente (Kyodo)

Leituras recomendadas :

Blog Asia Comentada – Aumento das Tensões da China com os seus Vizinhos

Alternativa Online –  Protestos contra o Japão ficam mais violentos na China

IPC digital – Protestos na China fazem empresas japonesas fecharem temporariamente Panasonic, Canon, Mitsui, Aeon e Hitachi, entre outros, estão em alerta

Alternativa Online – Honda para produção na China por 2 dias após protestos

Alternativa Online –  Manifestações na China contra Japão perdem intensidade – O governo chinês teria solicitado à população que evitasse atos que poderiam prejudicar a relação dos dois países, informou a imprensa japonesa

IPC digital –  Japão extrema vigilância em ilhas disputadas com a China

Veja – Japão colaborará com EUA para evitar conflito com a China

 

 

Fonte: Wikipedia, Yomiuri, Uol

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